sábado, 12 de fevereiro de 2011

À compartilhar silêncios

Hoje eu falei com ela.
Eu a odeio, odeio porque ela foi embora e deixou seus gestos. Gestos que ficam pra lá  e pra cá o tempo todo em cada cômodo desta casa que um dia também fora a casa dela. A casa verde da escadaria, como ela costumava dizer.
A outra mãe do gato, como sinto saudade, ela que é inteira continuação.
Ela que não é menina nem mulher, ela que pra mim é centenária, e como uma gigante podia ser aprendiz? Mas era.
Como sinto falta dos  risos malévolos e das batalhas de intelecto. Achei que sem ela aqui seria mais fácil. Achei que se eu não dizesse tchau, se não abraçasse e não chorasse, eu acordaria como se fosse sempre assim sem ela, como se ela fosse apenas uma imaginação dos dias entardecidos. Mas acordei e a falta é real.
Eu não sei de muitas coisas, mas eu sei que a superfície me cansa e como uma sereia eu tenho a necessidade de ir ao profundo, aí eu penso "como seria melhor e menos solitário se ela estivesse aqui à compartilhar silêncios".
Saudades! =(

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