A falta de sol deixava-a sentimental, os chorosos dias choravam as dores da menina que não chorava, controlava o sentimentalismo para não se expor ao fracasso e novamente ter seu coração partido, as feridas ainda estavam cicatrizando não podia correr o risco de mais uma vez morrer. Dedicava seus dias a curar-se. A difícil e árdua tarefa de ressuscitar do reino da decepção. Decepcionada foi ao amar demais. Ela sabia que o amor é um vicio que quando se perde o controle na maioria das vezes é muito tarde pra voltar, e como um viciado, ela estava no período de abstinência.
Esse é o momento de aprender, é o tempo de fazer escolhas, a hora de mergulhar nas prioridades e esquecer o resto, fechar o baú e guardar a chave. Ao menos isso é o que ela acreditava se não fosse à estranha criatura que perturbava seus dias, não mais que pensamentos, a falta de coragem, a covardia de abrir a porta e deixar os raios de sol entrar para dar nova vida. Os raios de sol que se limitavam à varanda, e o frio dos chorosos dias escureciam a casa, as lâmpadas acesas a clarear o medo e os sentimentos de insatisfação ao olhar as feridas que traziam a feiúra para aquele coração medroso da menina que não chorava. Criatura dos dias, dos meses, de todo o tempo não atropelado.
Não mais errar, não mais se perder em vícios, não mais esquecer da prudência da decência, jeito indecente de amar, finalmente aprendeu que se é preciso manter em segredo um relacionamento este é o sinal que nunca deveria entrar nele. Aprendeu que se é necessário esconder é porque algo está errado, assim como Adão e Eva envergonhados esconderam sua nudez, que boba, parece que não aprendeu a lição que foi como Judas “que é sempre um beijo que antecede a traição”.
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