domingo, 4 de julho de 2010

Quero fluir nos meus pilares

Disseram-me  uma vez “felicidade só é real se partilhada”.



Sempre escolhi o ataque à defesa. De todos os jeitos escolhi teu jeito, de todos os cheiros escolhi teu cheiro. Anestesiei-me em outros lábios para esquecer o teu, fiz escolhas e me assumo boba, uma boba por fazer tantas escolhas erradas, as bobas não vão para o céu. Mas ser boba, não é um estado permanente, logo não sou boba estou boba. Nesse temporário momento de boba decido me desprender, com a sua ajuda é claro,você que não mais aceita a difícil e árdua tarefa de ser amado por uma boba. Nessa dança do amor, dancei, literalmente dancei. O amor é simples.

E nessa simplicidade as bobas se perdem, fazendo um drama, me assumo dramática, degusto com todos os sentidos minha bobagem passageira, sim sou boba, estou boba, meus ouvidos e meus olhos são bobos, e de todos os sentidos sinto-me boba. Nada disso faz sentido, se dos sentidos sinto-me só, e são tantas as vezes que eu nem me sinto.
Escrevo melancolias e não degusto o que escrevo, mas é necessário lavar a alma mesmo que seja com essa chuva melancólica de palavras, escrevo porque as letras são amistosas e preciso seguir fingindo que está tudo bem, como imitadora de pessoa viva .É uma série de acasos, ações essas triviais que me fazem escrever. Ninguém me ensinou como escrever entretanto todos me ensinaram pois se o corpo sabe é porque sabe. Ninguém ensinou o corpo a fazer amor mas o corpo sabe, escrevo porque meu corpo sabe. Seguro desesperada no ar, e esse invisível me mantém racional, sou fraca, sou carne, sou racional, um gigantesco espaço vazio e sem tempo me cega, e sei que tem de ser assim. Em cada corpo que busquei a vida só encontrei a morte, e meu desespero desamparado, só me fez morrer, te busquei em cada carinho perdido que achei, e quanto mais te quis mais te perdi. A menina foi fugindo/ das coisas tristes que cantava/ não entendia ao certo /o porquê dos dois /só ela amava.
E por isso escrevo, são letras juntando e formando palavras que se aglomeram e formam frases, e se agrupam e dão sentido em um paragrafo, enfim um texto, escrito por uma boba que passaria o dia a rabiscar ideias,  mas a vida adulta me faz como todos os outros quase peregrinos e faço coisas que não quero fazer e digo coisas que não quero dizer. Não sei como mas tenho a certeza que amei.
Escrever é bom, eu já me viciei na solidão.
Se me perguntares o que me falta? Dir-te-ei que me faltam os quereres.

-Quero recomeçar, sentir os sentidos todos restaurados, quero sentir o suave adocicado da liberdade, quero erguer a cabeça e sorrir, quero sonhar sonhos coloridos, quero rir já decidi.  Queria seguir na certeza que existe sim El Dourado,  nada de visões anuviadas, nada de influencias, nem competições,  quero que esta dor que escraviza seja deixada para trás,  quero estar no ritmo e no embalo do espetáculo da vida e viver sem censura.Quero fluir nos meus pilares. Quero sempre, dos sentidos todos sentir-me boba e feliz, e felicidade só é real se partilhada.

Nenhum comentário:

Postar um comentário