Dar um tempo, só para sentir o drama da distância, uma vez Humberto cantou"qual a coragem que a distância dá", bem vou descobrir isso agora, uns dias pra me livrar dos pesadelos que rondam e perturbam meu sono. Romanticamente falando sou apaixonável, uma vez era mais fácil, me apaixonava todo dia... mas agora essa ilusão de felicidade não me desperta atração, era como uma boemia noturna, perdida nos embalos sonoros, hoje estou na idade da razão e o vazio é profundo demais, me perco entre livros, antes me perdia entre lábios, e era movida pela proibição. Um tempo para a cura, tenho que me curar, não ficar muito pra lá nem muito pra cá, simetria absoluta. Sempre perdida.
Enquanto não chegou o tempo, penso se devo saborear pela ultima vez o embalo da noite, talvez eu goste mesmo das noites esquecidas, lembradas vagamente pela dor de cabeça amanhecida. Me adaptei à solidão, e olhar velhos amigos boêmios não é uma tarefa muito fácil, por não ser fácil, vou, só pelo drama do reencontro. Beijo os lábios que tantas vezes me torturaram e me sinto bem, uma vida em uma noite, é assim que sou várias. E feliz estou sendo quem não sou, uma luta diária de ser e estar, e esqueço nesta noite a moça insatisfeita e insegura em casa à dormir entre livros nos seus momentos mais viajantes, onde não há mais ninguém para sentir o horrível cheiro da fumaça que invade seu quarto e deixa anuviada sua visão, e na ultima noite, de moça é mulher, a segurança de ser quem não é, liberta.

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