Quando perto de você estava eu sentia que todo o Todo estava logo ali, mas a verdade de todas as coisas acabou com a melodia do romantismo, e os sons passaram a ser não mais que ruídos que devoravam as cores dos dias que costumavam me sorrir. As palavras consumiram um coração unicamente pelo prazer de torturar, e quem fez este mal foi um dos seus.
O medo já não existe nem a loucura, já não cabe mais o fatalismo ele se foi abrindo espaço para o realismo. "Coragem menina, ninguém morre de amor" disse um dos meus, e mais uma vez as palavras, as mesmas que desafinaram a melodia do romantismo agora insistiam para que a melodia do coração volte ao compasso original, não naquele que era recheado com o sabor da ilusão, a melodia original era a vida por sí só, agora a melodia que vinha quase inaudível ganhava forças e já não era tão doce mas também não era amarga como a verdade de todas as coisas, a melodia vinha com mais força e arrebentava as palavras, o compasso bailava como as cigarras em noite de luar. Ainda que passageira, a felicidade instantânea invadia e restaurava os sentidos, e dos sentimentos feridos pelo amor não recíproco estava um pequeno ponto que trazia a intenção de controlar. Autocontrole. Não havia promessas.
A verdade de todas as coisas machucou, não reinventei situações, a noite se calou e pude ouvir a melodia do ronronar do meu mais fiel felino Detlef, senti meus olhos a umidecerem e respirei fundo, ainda no impulso da verdade de todas as coisas eu te escrevi "não posso reclamar nada, mas posso ficar longe de tudo isso. Não tenho vocação para namoradinha ciumenta.". Por algum motivo mesmo que desconhecido um dos seus quis me revelar a verdade de todas as coisas. Doeu como doeria a picada da serpente mais venenosa e mais cruel do reino sombras, o veneno fazia um nó na garganta, respirar eu quase não podia e foi então que na dor mais doída de todas as dores descobri que já não cabe mais amar assim.
o leão ainda é o rei do animais.

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