A verdade de todas as coisas. A verdade levanta-se de sua inércia e grita em meus ouvidos, estava a ouvir a melodia da solidão, e o grito da verdade fez-me acordar daquele costumeiro jeito vago de um sonho que já me acompanhava há quase um ano inteiro. As palavras da verdade me pegaram sozinha e desprotegida, nem houve uma batalha, e em silêncio a verdade gritou e ganhou. Pensei nas palavras de Steinbeck "não posso lutar com minha ignorância contra o possível conhecimento...", e era um dos seus a contar-me a verdade das coisas, ao som da tristeza que invadia meus ouvidos, também podia ver as palavras a zombarem dos sentimentos meus. Não chega a incomodar o fato de um dos seus sentir alegria ao roubar-me toda a felicidade que exibia nos olhares mais sinceros. A melodia se desfez juntamente com a felicidade, simplesmente porque o compasso da cantiga era o meu coração que acelerava a cada abrir e fechar dos olhos quando a imagem sua invadia o meu Todo. Doía a tal verdade de todas as coisas, inexplicável as palavras frias e malévolas que as pessoas podem proferir com um sorriso mortífero. Um dos seus conseguiu com a frieza das palavras mais sutis abrir-me uma imensidão de horizontes ao me acertar o coração da alma. A verdade de todas as coisas já não gritava, mas bloqueava todos os caminhos com as notas mais tristes, eu tive medo. Tive medo porque sempre soube que a verdade de todas as coisas mataria a esperança, eu tive medo porque ao acordar perdi o mundo que conhecia, um outro mundo mundo se faz necessário. Não entendo a real necessidade de que meus olhos e ouvidos conhecessem a verdade de todas as coisas se quando na ignorância os dias eram mais amigáveis. Preciso da melodia, preciso sentir o compasso a fundir com o meu corpo, preciso para que o traiçoeiro silêncio não venha atormentar. Preciso aprender a conviver com a verdade de todas as coisas, meus problemas são apenas meus, os sentidos se recuperarão, certamente transparecer a fraqueza em nada ajudará. Seguirei rumo ao novo, afinal o que mais resta a fazer? Uns dias de nova solidão.
E como é que é a solidão quando a verdade de todas as coisas matou um coração ao deixá-lo sem esperança e sem melodia?
antes a dor da verdade do que a companhia da mentira.

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