domingo, 14 de novembro de 2010

Quanto à consciência

Quando o tempo parece parar, quando no ensaio da vida você esquece a fala e as pessoas se olham e ficam  emudecidos, quando relembrar é ruim, quando no ontem você até achava sentido nas coisas e nos rumos do barquinho de papel que te acompanha desde sempre no riacho dos  dias, quando você fica com nojo das atitudes desnecessárias que todos fazem meramente por impulso, quando a carne é mais que a mente, quando os sentimentos se misturam e nada é claro, quando no coração das trevas você se encontra,
quando as palavras não se encaixam com o que querem dizer, quando a inteligência e a aceitação não se encontram, quando você pensa que vivemos da mesma forma que sonhamos "sempre sozinhos", quando você se sente acomodado e sem vontades, quando você mente para não decepcionar o outro e fere-se bem no íntimo, quando a tristeza invade unicamente porque não cabe mais...
Quantas vezes se sentiu assim? Quantas vezes as respostas lhe fugiram? Quantas vezes você desviou-se do caminho para seguir atalhos? Quantas vezes a realidade não foi real? Quantas e quantas vezes você enganou-se de propósito por medo de encarar a verdade?
Você tem sentido-se assim, como se adiasse o inevitável?
E mesmo que com todas as fugas, ainda sente-se descontente? Como se algo sempre faltasse bem no meio, algo que traga sentido, que exista na intenção de vivificar, que preencha o vazio que tem sido as seculares horas da rotina.
Sente-se culpado por ser mais um a banalizar o amor ao proferir um mentiroso "eu te amo"?
Quantas vezes se sentiu assim, perdido e sem respostas, com nojo do próprio "eu"?
Ai vem um desejo de gritar, porque tudo isso já não cabe mais, já estão todos fartos, o cansaço é dominante e não há mais lugar para dúvidas e arrependimentos, lança-te de ti, e vai.
Quantas vezes você desejou ter um Retrato seu que sofresse as consequências dos seus atos?
e por fim, o mesmo de sempre, sempre falará mais alto e voltará, é tarde demais para rever? É tarde para sermos os mesmos?
O processo, e o julgamento por tudo o que já fez vai te levando a própria prisão, e não cabe mais a defesa, não há argumentos, e não há mais nada...

estamos indo, planejando sem planejar, sabendo sem saber, tudo isso porque a vida é um sonho e acordar é o que nos mata.

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