segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Um chá pra curar o coração dos poetas

Sei que não existe mais nada a fazer a não ser recolher os sonhos e dar adeus aos dias, aqueles que foram nossos e agora não são mais, tomo meu caminho assim como tomo meus chás, os chás que me ajudam a viver e a ser, hoje tomo um chá de bom senso para que eu não me perca em vontades, mas bem gostaria que o chá fosse de sumiço e em nuvens azuis subir ao céu e misturar-me com as nuvens. É tarde e eu sinto frio  em meu corpo  mas em alma sou devastada por um incêndio, e o incêndio tem nome o mesmo nome que foi dado a ti quando ainda não era nascido, aqueço-me com o chá, mas ainda melancolica permaneço e a culpa é sua, já que tenho que culpar alguém, que seja você.
      Um fracasso amoroso nada mais e meus sentimentos todos você descartou, ai eu tive que inventar os chás para aliviar as dores,  chás que me permitem viajar por universos paralelos e esquecer os dias, e me sinto farta de saudades porque eu trago a distância daqueles que me amam e quase já nem tenho pulmão, trago também a aflição do adeus, trago os dias que não são meus nem seus. Decidiu se aventurar e me libertar, e me fez eterna prisioneira do amor não vivido.
E pra aliviar a dor eu tomo chá e subo em minha carruagem guiada por cavalos marinhos que me levam ao profundo mar, e me levam sem bússola, sem rota, sem rumo...eu vou abrindo as porteiras como nos velhos tempos fazia na fazenda.
     Ainda sou criança com medo, ainda sou criança no tempo, ainda sou a mesma na mutação do espaço. A  prisioneira sem direito ao sol e justo eu que sou girassol, e é por todas as coisas que nunca falamos é que eu ando por aí levada por cavalos marinhos sempre à procurar um novo chá  na intenção de curar o coração dos poetas que assim como eu adoeceram. Mais um chá antes de dormir, eu sei já é tarde e irei me recolher, mas não antes de quebrar os relógios e rasgar os calendários... chove e temos todo o tempo do mundo na ampulheta dos sonhos, malditos sonhos que recolherei ao amanhecer, mas é noite e como um girassol meus olhos procuram os seus, sol de outro lugar. Caminho em meio ao mar, águas salgadas? Suor dos corpos? Lágrimas?
..."tão só, não mais livre", como falou Sartre. Enfim, brindemos à liberdade.

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