sexta-feira, 4 de junho de 2010

Alimente-me

...Quando não se sabe o que te deixa feliz, olha-te de fora e se deixa viver.
Perdida e cansada,  encontro-me.
Um gato dorme na minha cama e impede-me de arrumá-la. Uns dias assim pra ter certeza que a vida é sim um drama. Sou hoje minhas músicas, sigo no embalo de Jorge Benjor.
A noite foi boa, até sonhei que dava um grande tapa na cara de uma guria loira, meio alta, meio gorda, se fosse real ela podia sim me bater. Nos meus sonhos eu até brigo, entretanto acordada sou esse poço, profundo e calmo. Quero sair e sentir a cegueira da superfície, não sou eu um leão? E leões não vivem no subterrâneo.
Acordei perto do meio-dia, enquanto lavava as calçadas, pensava na vida, se é que existe vida nesse corpo que mecânicamente lavava as calçadas, rascunho incolor, inutilmente tento colorir, com noites de sexo disfarçadas de filme e música. A vida é composta por longas noites. Quando é que vou viver o dia? Estou cansada de passar a vida não vivendo.
Não choro as perdas, pêlos de gato, tomam minha roupa preta, não me importo, meu gato é lindo e adorável, um amor de felino, nada exige, além de comida e um pouco de carinho, o alimento e ele retribui amando-me. Invade-me o desejo de também animal ser e não querer nada além de alimento.
Querer mais tem sido meu problema, nessas noites falsamente coloridas, às vezes me perco em tensão às vezes em tesão.Então o dia amanhece,e não há  nada além de mim e do meu gato.




(...e quem diria meus dias agora unicamente entardecem...)

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