quarta-feira, 23 de junho de 2010

Julgada tal qual Capitu

Amor, o peso dessa palavra tão forte e tão suave, que costumava mostrar o quão frágil são as pessoas que amam. Hoje, o amor revela-se a mim mais leve que uma pluma, não me provoca. Nada tem a ver com fugacidade. Efêmero, como poderei chamá-lo se não efêmero, me dizem nostálgica, me dizem dramática, me dizem romântica, me dizem Capitu. O fantástico mundo real, toda essa realidade tão efêmera, absolver ou condenar? Como posso pronunciar um veredicto? Sou só uma pessoa e me julgam tal qual julgavam Capitu. Acho mesmo que devo praticar o desapego. Um pano de fundo a colorir essa história, que ideia absurda! Sob a luz de uma conversa que nos transformou em personagens de Dom Casmurro, foi que cheguei a uma conclusão: somos nossos erros e acertos. Mas quem é que decidiu o que é certo ou errado? Quem pode ser mais que o outro, se somos todos humanos? Somos mentes ou corpos? Tanto tenho para falar-te, mas como raciocinar diante do teu sorriso? Sorriso perturbador.
Aumenta um misto de desejo lírico e épico, somos nós, estranhos, discretos e reservados na fronteira da razão, banalizando o amor normal. Ao ler isso certamente pensará “lá vai ela com seu melodrama mexicano”, nem vou defender-me, afinal tudo é tão simples.

Confiança, não me deposite confiança, pessoas dissimuladas não são merecedoras dela. Guarde-se para si. Poupe-se, economize-se. Eu disse TE AMO, quantas pessoas dizem te amo pra você, quantas pessoas sentirão sua falta, quantas pessoas você lembrará numa noite de insônia? Se em momento nenhum estive na sua lista, realmente não me deposite nenhuma confiança.

Sinto-me doente nesse exagero do nada. Lembro de quando Cassia costumava cantar “sou minha só minha e não de quem quiser”, acho que esquece quem sou e como sou, e todo amor de tempos, sofre uma sofrida mutação, decepção agora e dói, não para de doer. Desconfiança?

Não me conhece mesmo.

“mesmo nossa própria dor não é tão pesada como a dor co-sentida com outro, pelo outro...multiplicada pela imaginação, prolongada em centenas de ecos...”

Ao ler isso, senti que preciso reestabelecer a ordem no meu íntimo para que meu coração pare de chorar, esquecer de vez quem nunca quis me lembrar. Das lembranças não lembradas uma voz disse TE AMO, e nunca foi ouvida, não com o coração. Em pensar que você era meu paraíso pessoal. Se precisar mesmo de confissão, confesso! Confesso os crimes que não cometi e sei que sua mente humana já me condenou.

... disse Te amo, o que mais pode querer???

“Ter com quem nos mata lealdade” (Legião)

Sinto-me como uma Capitu!!!

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