sábado, 5 de junho de 2010

Parei sol

Muitos dos girassóis morreram, maldição!
Roubar girassol não é mais meu caminho dourado. Parei sol. Quando não queria, aconteceu, sem sol pra girar, num contínuo eclipse à escuridão invade. Talvez a escuridão me venha como um remédio. Girassóis aparentemente tão fortes, não sobreviveram, tudo é aparência, nada é insubstituivel???
Meu querido girassol, aparência é só matéria, um morre outro ocupa o seu lugar, sem nem guardar luto. fecho meus olhos e imagino sua imagem, o primeiro girassol que escandalizou meu negro olhar.
Um dia estaremos juntos... e quando encontrar-te nos olhos de um outro alguém, verei que não há nada de ninguém que possa preencher o espaço que é do seu tamanho e da sua cor, girassol.
Tem sido tudo tão artificial, sem cheiro, num amarelado desbotado, e já nem importa o grito ou o silencio. A cegueira invade os poucos surdos que me rodeiam, os sentidos desaparecem. Nada me resta além de embriagar-me com as saudosas recordações do seu perfume, perfume perturbador, que devora a alma e o único sentido que sobrevive mesmo que  adoentado no meu corpo, rasteja sempre à procura do sol. Girassol.

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