quarta-feira, 23 de junho de 2010

Pra um casal

Unidos por suas desgraças, compartilham seus corpos e são um casal aos olhos alheios, estranhos solitários a partilhar sua solidão particular.
Ele, complexado com o medo da não aceitação, o medo de ficar só, medo de enlouquecer com sua politica filosófica que o afasta da multidão, ele precisa ser precisado, sente em seu intimo a necessidade de ser único para alguém, tem medo da culpa que o persegue e a insatisfação toma todo o seu vazio, seu abismo pessoal está marcado com uma gigante placa luminosa para envergonha-lo, com letras bem grandes foi rotulado INSATISFAÇÃO.
Ela, complexada com o abandono masculino, o primicio abandono fora paterno, todos os seus relacionamentos foram condenados ao fracasso, frustrada, não entendia o porquê de ser sempre a parte que dava o amor, e não a parte que recebia, suas tentativas sentimentais foram incontáveis e a mesma historia se repetia, ela buscava desesperadamente a felicidade no outro, não podia ficar sozinha, sufocava e sugava o outro até que o outro estivesse sem forças então ele fugia para viver, um drama de co-existência era o que ela vivia, uma procura incansável e insaciável pelo outro.
 Alguns acasos para uni-los, a ilusão aumentava na cabeça dela, e a culpa nascia na cabeça dele. Ela sugando ele se deixando ficar, eles caminhavam para o outro, não se sabe o que faz seguirem em direção ao amor pela fraqueza. Vão seguindo até que um dia um deles acorde e veja além da fronteira de acasos e deixem os limites para conhecer o outro lado.
Enquanto nada acontece o mundo lhe sorri, mas não há aplausos, ainda há tempo.

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