quarta-feira, 23 de junho de 2010
Uma certa garota, um certo mutante
Era uma vez uma certa garota, tentando romper duros limites da realidade, para isso, sexo, em todos os sentidos, liberdade.
Os mutantes não têm culpa de serem limitados. Lentamente a alma retorna ao corpo dessa certa garota, ela sente gotas de ácido a ferver nos nervos, pensa em um certo mutante entretanto não se atreve a romper as paredes invisíveis.
Ela odeia se sentir vulnerável, ele a faz sentir-se assim. Amar é queimar neurônios, ela o ama. E isso vai apagando-a como um entardecer de outono.
Coração de leão, alma de poeta, um misto de ira com um toque de solidão. Ignorada pelo resto do universo, esta é a vida de uma certa garota. Mas a vida não é noticia e não interessa pra ninguém.
Essa certa garota pensa muito em um certo mutante, que a faz pensar em amor. Há quem diga que o amor é uma fraude, mas ela acredita que o amor é um limite que mede todas as pessoas, pra falar a verdade essa certa garota leu isso, que o amor possuía duas extremidades, e assim como o autor, essa certa garota sabia que sua extremidade estava acessa, e isso a deixava doente. Ela não queria seguir, ela queria permanecer eterna nos olhos de um certo mutante, ela deu seu mundo para ele fazer os movimentos de translação e rotação, e ele lançou o mundo fora do seu sistema solar. Para este certo mutante, essa certa garota não era mais que um marco no caminho do seu sistema.
Ela chorou, porém ela não era personagem de uma história teatral, e não estava disposta a colocar em cartaz suas cicatrizes, e muito menos fazer um concerto com a canção do seu coração, não queria de forma alguma nenhuma platéia, uma versão entristecida de um entardecer solitário, era esse o jeito de ser de uma certa garota.
Um certo mutante causou estragos, devido aos estragos uma liberdade abstrata se dissipou, o silencio tomou o espaço, ela podia claramente ver as diferenças de mundos, provou para si que o tempo não existe.
Ela separa um certo mutante da carne e do intelecto, inacreditavelmente não vê nenhum significado, só faz sentido se for os dois ao mesmo tempo, corpo e alma.
Essa certa garota não queria roubar ele dele, apenas queria mostrar que ambos poderiam ser vivedores, mas toda essa teoria era falha, pois ambos perdiam-se entre palavras, e nelas prendiam-se, armadilhas que os transformavam em seres renuncias. Nesse engano, um conflito, rotula-a como um céu cinza de verão, era sempre assim, depois da carga de felicidade do corpo, a alma partilhava o sono. Um sorriso medíocre enfeitava-lhes o rosto, alegria mentirosa, ilusória. O pior crime é fingir, ele comia ilusões e recheava com erros, e uma certa garota inconstante parecia apática sem aquele certo mutante. Talvez fosse apenas uma certa garota mas tinha uma dose de profundidade.
As coisas estavam estranhas, em momento algum ela deixou de amá-lo, mas o amor a deixava doente, entre ela e ele, ela era a pessoa, a rival inesperada, impossível competir. O amor dela mergulhou com ela e afogou-se no sangue do silêncio, mutante imutável foi nomeado amor.
Entre sonhos e realidades, em eterna contradição uma certa garota vivia, perdia-se do tempo que não era real e sonhava com todos os eus presentes naquele eu insatisfeito.
Um certo mutante dizia ser simples, e fazia o que podia, o que podia não era muito, era bom na cama, ela gostava, mas fora dela, ia se perdendo também. Pra essa certa garota toda a lembrança recente manchou uma vida inteira.
Ela não queria ter filhos com esse certo mutante, ela não queria que ele ficasse grudado nela, ela queria beijá-lo, segurar-lhe as mãos, compartilharem seus corpos em um acordo mutuo de desejo.
Na verdade, se é que podemos falar sobre verdades, é que ela sentia o amor como um inferno, e se via com um Dom Quixote desafiando moinhos de vento por um amor imaginário de Dulcinéia.
Um certo mutante e uma certa garota, ambos eram seres inteiros, não foram criados, não eram metades, e amor e inteligência não dão liga, ela sabia assim como o autor, que o amor só é inteligente se abstrato.O amor é abstrato e individual só sabe quem sente, o amor que ela sente fere-a, e para um certo mutante o amor é inexistente e deixado em ultimo plano. Essa certa garota queria matar o amor, pois sabia da sua inutilidade perante a vida, não podia tocá-lo e nem fazer sua vida sentir saudade da vida dela.
È fácil falar que uma pessoa não é ninguém quando se pensa o contrario. Em um tumulo sem nome enterrem o amor. Um certo mutante fez e desfez mundos para uma certa garota, as vezes o autor acredita que ela foi quem criou os mundos, e com isso o silencio não tardou em chegar, dissipou orgulhos, e a insanidade rondavam a porta de uma certa garota.
Eles tiveram bons momentos,dialogaram,sonharam, encontraram canções perfeitas, partilharam seus corpos e o sexo ora era com amor, ora com loucura, estava tudo muito bem, mas o tempo não existiu. Como conseqüências feridas apareceram e iam se fechando em si como um caracol. Estavam desajeitados e vazios, em algum momento desse tempo não acontecido, ela chegou a pensar que ele fora feito sob medida, nem mais nem menos. Havia a parede invisível a separar-los.
Em frias noites essa certa garota deseja mais, queria ser amada, embora o amor fosse estranho, sentia que precisava ir além da fronteira da razão.
Por mais que ela amasse esse certo mutante, nunca poderia entendê-lo, amar é mais que entender, o autor pensa isso, que se pode tentar entender alguém e não se pode tentar amar alguém, amor é involuntário.
È obvio que a vida dessa certa garota gira em torno de um certo mutante, e ele tem o poder de transforma-la em uma idiota feliz ou uma sabia ressentida. Essa certa garota toma os remos e não quer mais permanecer a mercê de um certo mutante e decide fazer o navegar do barco vital, e apesar de um certo mutante ser o oco do coração de uma certa garota, o desejo continua intacto, mas sem ele o clima não flui, o sexual devora, e o resto é chuva silenciosa, podem dizer que ela é exagerada.
Todo o futuro e o presente está na presença ou na falta de um certo mutante, o tempo não existe. Esta certa garota tem dançado com a lua, tem a alma estragada, e medicada por cápsulas vermelhas, ela deseja que seus passos sejam apagados. Ela era sonhadora, agora ela é vivedora, ela é uma boba, achou que com esse certo mutante não haveria truques nem desassossegos, que poderia respirar fundo o ar do entardecer, caiu em uma armadilha e foi lançada para um novo vazio, lembrou de quando conheceu aquele certo mutante perturbador, sabia que ela devia se afastar, uma enorme vontade de seguir em sentido contrario que só fazia-a seguir em direção daquele certo mutante e se perdeu nos mistérios do absurdo. Que bobagem ela olhar alem do seu nariz e achar que podia viver passos à frente. Certo mutante encheu com facilidade todo o vácuo, e a fez sentir-se como o melhor entardecer da primavera, ele tinha alma e melodia, e ela perdeu-se nos embalos noturnos.
Não há tempo, nem presente nem passado, mas há uma trilha sonora silenciosa composta por um certo mutante que vibra no peito de uma certa garota e faz com que ela tenha a sensação de que cai em um abismo sem fundo.
Abismada ela segura-se em um certo mutante, e permanecem no real, como dois estranhos a compartilhar o sono.
...você me lembra poesias sonhadas, canções não cantadas, filmes não vistos, amores imprevistos, um lugar inexistente, um casal como a gente...
Srtª. Clau
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário